A algum tempo atrás foi-se (Timmot). Ele planejava viajar até a Lua. Mas, a Lua, como sabem os espertos, está longe de mais.
Não há caminho certo. A rota mais curta era, obviamente, a mais difícil. Era, claro, preciso começar de algum lugar. Era necessário o impulso (Um impulso). Afinal, não se vai à Lua sem um impulso. Era necessário vencer a mais difícil das cruzadas, vencer a gravidade.
Ela (a gravidade) nos ilude. Pois, se existe uma resposta para tudo, a resposta é a própria (que já se diz "grave" no nome).
Para chegar à Lua era preciso sonhar.
"Timmot era complicado, como somos todos, afinal. (Timmot era igual à Lua). Largaria tudo no Mundo,para estar na Lua. Não que tivesse tudo, muito pelo contrário, Timmot já havia perdido tudo. E por conseqüência já havia sentido de tudo. Mas nunca havia se sentido completo. Acreditava que sentiria-se completo somente quando conseguisse ir à Lua.
Timmot era um garoto normal (como somos todos), afinal. Seus cabelos castanhos omitiam de seu rosto toda mentira, como se dessem cor a honestidade, como prova de seu caráter. Nariz pequeno, sobrancelhas grossas e olhos azuis, um verdadeiro sonhador.
Sentado em sua cadeira (a sonhar,claro) com olhos desfocados, Timmot criava máquinas capazes de vencer a Gravidade e chegar à Lua. Mas Timmot sabia que só sonhar não era o bastante. Era preciso ir além de Sonhar, era preciso abrir as portas das Terras do Distante Sonhar. E por isso sonhava sozinho.
Uma vez enquanto sonhava, Timmot se perdeu. Estava perto dos Portões das Terras do Distante Sonhar, mas não sabia-se onde.
Timmot tinha a capacidade de se lembrar dos sonhos. Mas desta vez só isso não bastava, havia ido mais longe do que qualquer um havia ido, onde seus sonhos nunca o havia levado. Timmot tinha chegado à Fronteira do Sonhar, onde o Real e o Metafórico se misturavam em um só Delírio. As distantes Terras do Sonhar, Timmot sabia, pertenciam ao Mundo Metafórico, Mundo tal que fazia fronteira com a Realidade (o oposto da Metáfora, a antítese do Sonho.)
A Realidade está em cima, embaixo e envolta da Metáfora, ela cerca a Metáfora por todos os lados. Para sair do Real é necessário abstrair o Fato e desligar o Senso.
Mas para Sonhar era preciso seguir por outro caminho. A Fronteira entre o Sonho e a Realidade são nossos olhos, para ser mais especifico nossas pálpebras. Ao fechar os olhos, Timmot, saia do Mundo Real e tomava a tranqüila estrada para o Sonhar. Fechar os olhos é adentrar na Metáfora (por isso a Realidade nos faz piscar tão rapidamente).
Timmot se encontrava agora no Limite entre Sonhar e Nada (e estava perdido). Timmot não via ninguém por perto. Não havia ninguém por perto. Tomado por medo e desespero Timmot gritou (-Olá! Existe alguém aqui?!) e o Silêncio fora o primeiro a responde-lo.
-Não há nada por aqui.- disse Silêncio.
-Se não existe nada, porque ouço sua voz?- Perguntou Timmot (e sua Inocência).
Silêncio calou-se, pois haviam mais alguém lá. Havia a Inocência. Então esperou, pois o Silêncio (saibam) é sábio, e sabia que Inocência não durava para sempre. Silêncio esperou, esperou e esperou (Timmot também). Mas a Inocência de Timmot parecia ser forte e bem enraizada.
-Olá! Ainda está ai?- Disse Timmot. Sabia que estava sendo ouvido, sabia que havia mais alguma coisa naquele lugar, além do vazio.
-Sim, Timmot, ainda estou.- respondeu em tom de sabedoria, Silêncio.
-Como sabe meu nome (que pergunta boba, Timmot! exclamou para si)?
-Sei por que sou o Silêncio.
-Deveria saber? Se você é Silêncio, não é resposta, não é pergunta, não é palavra. Porque sabe?, se nada deveria saber?
-Sou sábio porque sou a voz do Sábio. O Sábio preenche as perguntas com resposta quando se cala. (O sábio cala, o burro fala).
(...)
Adicionar pitadas de sarcasmo em tudo que diz é um bom jeito de ser Ogro.
11 de mai. de 2010
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